Todos os passos que damos em nossas vidas são precedidos por um momento determinante seja ele de dúvida ou mesmo de confirmação.
Segundo Jean Paul Sartre " Ser é escolher", partimos então do princípio que cada pequeno ou grande momento que vivemos é baseado em nosso poder de seleção (avaliação) e a eterna vontade de acertar.
O movimento constante dos minutos, horas e dias só é possível pois existe em nós uma força que anseia por ações que por sua vez possibilitam mudanças, de forma cíclica e infinita.
Esse ensaio sobre o ato de escolher/optar é pra falar um pouco sobre a nossa capacidade de escolhas, muitas vezes inconscientemente, rodeada por emoções e sentimentos que não compreendemos, o que nos torna imprevisíveis e muitas vezes desprovidos de qualquer lógica, o que não quer dizer por sua vez que sejam escolhas erradas.
O ponto a que quero chegar é que por muitas vezes fazemos o uso do nosso direito de decisão acreditando que somente a melhor opção irá nos satisfazer e se posteriormente nos decepcionamos com tal escolha nos culpamos e simplesmente aceitamos o fato, esquecendo que novas possibilidades sempre virão, e que diante uma conclusão equivocada abre-se um novo cenário repleto de alternativas que mais uma vez exercitarão nossa aptidão para assumir o controle e tomar uma posição, mesmo que por um instante sequer, até que ela novamente se altere.
Eu, como todos nós, sou um exemplo vivo sobre o efeito da seleção, não tão natural, que fazemos a cada instante. Há 2 longos anos sou uma quase Decoradora. Ainda não me formei, mais também não larguei o curso.Engana-se quem pensa que o 'quase' não é uma escolha, ele pode não chegar a uma conclusão mais com toda certeza ele envolve ponderação, renuncia e/ou aceitação. Para se chegar a indecisão do quase foi preciso passar pela fase da deliberação, mesmo que daí não se tenha chegado a uma resposta conclusiva.
O quase, aquele mesmo que faz total diferença quando lembramos do "copo meio vazio ou meio cheio" dependendo do ponto de vista do observador, está hoje na minha vida porque assim eu escolhi, isso mesmo, uma escolha! Decidi não tomar uma posição, ao menos nesse momento.
A opção que fiz um dia, valorizando a minha fixação por tudo aquilo que traz brilho aos olhos, por um bom tempo me foi satisfatória, o primeiro ano de faculdade foi empolgante, descobrir o fator criação, a idéia fixa de traduzir desejos em belas imagens, a esperança de projetar o ambiente perfeito, tudo isso me encantou, e continua me encantando, porém hoje de uma forma diferente. Já não tenho tanta certeza se quero projetar o sonho de outras pessoas, mais quero com toda certeza me encantar também com eles.
A minha paixão por imagens continua, posso dizer que até mais viva e também mais seletiva, e ainda quero que tudo isso faça parte da minha vida. Cabe a mim, agora, e novamente, passar para uma nova fase, fazer testes, ser parte de experiências de vida, e seguir o círculo da nossa existência.

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